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Destaques

Sem fim

18.06.2008 | 7h22 por Edinaldo Benicio | Site do Autor

De fome quase morri. E se não morri é por conta do destino. É ele que responde por mim. Nem sei ao certo se entendi o que estava ao meu redor. Nem água para fazer caldo de pedra a gente não tinha mais. Se não existisse o ar seríamos cadáveres flutuantes. Variei. Não sei de onde veio pensamento tão elevado. O que nos segura na terra? Lembrei de meu pai e minha mãe. Cuscuz com côco ralado de manhã cedo. Que saudade dos dois. Talvez seja a preocupação em cabeça e estômago vazios. Que mundo doido. É coisa do aquecimento da terra. Quando eu nasci não tinha isso que falou alguém por aí. Dizem que o sertão vai ficar mais quente ainda e que depois vai fazer tanto frio que cobrirá a caatinga de neve. Não sei o que é neve. Disseram que é coisa branca que cai do céu. Depois vira água. Acredito nada disso, não. Nem virou mar, o sertão. Sei que foi Deus. E se foi Ele quem quis, assim será. Mas fome é coisa pesada e não tem aquecimento que dê jeito. Nem um cururu, cobra, besouro pra comer eu encontrei. Vontade de comer a primeira coisa mastigável que aparecer na minha frente. A terra é vermelha, eu sei. Cor de sangue talhado. Aí comi. A terra enche o bucho. Enche a alma e os olhos de sensação momentânea, mas não mata o que sinto dentro de mim. O ar é pesado. Tontura passando pelo olhar. Se o vento fosse forte seríamos cadáveres flutuantes de levinho que ficam os ossos. Com perna bamba sem vontade de andar. Assim feito um pluma voando de um lado pro outro. Tão magros e leves. A fome me deixa sem ânimo. Tentei cavar a terra. Encontrar água salobra. Raízes de comer. Tudo em vão. O sertão é um tão sem fim que se eu fosse Deus mandaria chuva pra mim.

Porcas, parafusos & rejuntes

17.06.2008 | 7h23 por Patrício Júnior | Site do Autor

Estava encostado na pia da cozinha olhando fixamente a parede de azulejos brancos – um pouco encardidos – e pensava justamente qual tipo de produto mágico teria o poder de limpar aquelas manchas amareladas dos cantos dos azulejos que eram iguais às pequenas machas amareladas que o tabaco lhe presenteara no canto dos dentes. A chuva podia ser ouvida através dos basculantes da porta da cozinha e também ouvia nitidamente o ranger dos parafusos da cama de metal que vazava por baixo da porta do quarto, sinais de que a vida habitando ali dentro ainda fritava no colchão em busca de sono enquanto ele seguia olhando fixamente os azulejos branco-amarelados como seus dentes que, como os parafusos frouxos da cama do quarto, rangiam sem que ele pudesse dar-se conta, frouxos que estavam seus parafusos, os da cama e também o de alguém muito louco que teve a genial idéia de colocar azulejos brancos numa cozinha – posto que as frituras, os cozidos e os assados dotavam estes gradativamente de uma coloração amarelada de gordura (ou de tabaco, no caso dos dentes, pensava, ao mesmo tempo percebendo que também havia um parafuso frouxo na mente que concebeu dentes brancos, posto que as frituras, os cozidos, os assados, e também o tabaco, lhes dotavam deste aspecto branco-amarelado semelhante a uma carta velha que se perde no desvão da memória). Uma carta velha. Jamais havia parado pra pensar como se assemelhavam a cartas velhas aqueles azulejos que já não cintilavam à luz fluorescente da cozinha, como pareciam contar notícias de frituras, assados, cozidos e tabacos do passado, o amarelo entranhado entre os rejuntes relembrando a todos as coronárias entupidas, os dentes amarelados, a perda de vida. De repente a chuva estava mais grossa, mas não conseguia abafar o ranger irritante dos parafusos frouxos – e também das porcas, pois costumamos culpar somente os parafusos, quando é sabido que nunca se afrouxam sozinhos. De fato, algo estava frouxo. Entre os rejuntes daquilo que soçobrava no ar entre a vida encostada à pia da cozinha e a vida fritando na cama de porcas frouxas: algo estava solto. Como uma carta que fala de coisas lindas e antigas, sim, uma carta velha e amarelada que adquire outro sentido depois de alguns anos. Havia algo solto entre as frases belicosas que tropeçavam dentes amarelos afora, caíam como azulejos no chão e saíam cortando tudo. Havia algo solto quando se deitavam na cama de ranger ininterrupto e se diziam boa noite. Havia algo solto, um parafuso, uma porca, estavam ambos desenroscados um do outro. Ou desenroscando-se. Pois o bolor que persistia na parede branca de alguma maneira fazia que os azulejos soassem como um só: o mesmo bolor dessas cartas antigas que muda seu significado mas, sem que percebamos, mantém nelas algum significado. Qualquer que seja. Afinal, que significam esses momentos em que penetramos no mais íntimo do todo e notamos que cada ínfima parte produz um equilíbrio sutil para soar, então, como um todo? O que significa, afinal, o significado das coisas? Era o que se perguntava ainda com os olhos nos azulejos, ainda com os ouvidos no ranger da cama, ainda com algumas palavras cravadas no peito como… cacos de azulejo?… pedaços de dentes?… gorduras amarelas? Estava entalado. Por dentro, por fora, estava entalado das palavras que ouviu, das palavras que não disse, das palavras que não conseguia entender o significado. Que significa pessimicerteza? Pois era o que sentia. A pessimicerteza de que os azulejos estavam pontiagudos, os dentes estavam tortos, a cartas estavam tão amareladas – mas tão amareladas – que já não se podia ler seus códigos. Um a um, frituras, assados, cozidos, todos foram perdendo o sabor de domingo. Eram uma segunda chuvosa. Mas enfim: era uma segunda chuvosa. Pois já passava da meia-noite, pois a chuva caía implacável, pois seus sentimentos estavam todos focados em uma única coisa: conseguir um produto de limpeza mágico que conseguisse tirar a sujeira entranhada entre os azulejos. Sabia que o rejunte não iria agüentar tanta merda.

Procura-se um prostíbulo

16.06.2008 | 7h22 por Edinaldo Benicio | Site do Autor

Procura-se um prostíbulo onde eu possa saciar a lascividade do meu corpo e da fome dentro de mim. Pode ser algum lugar, onde a penumbra esconda o entrelaçar de carnes trêmulas e o saciar de estômago que clama. Procura-se um prostíbulo nos quatro cantos do mundo, onde pessoas carentes de um qualquer possam encontrar ao menos o prazer momentâneo de poucas horas. Alguém que pague pelo corpo alheio, procura-se. Procura-se quem considere o corpo humano o objeto que sempre foi. O corpo nada mais é do que valor, dor que se perpetua no tempo. Um prostíbulo onde eu valendo alguns trocados possa encontrar lugar para deitar a cabeça e as deformidades em meu corpo. Que ao acordar, mesmo sabendo que sou mercadoria, sinta de verdade que sirvo para alguma coisa.

Inércia

22.05.2008 | 8h41 por Autores Convidados | Site do Autor

Por FFF

A sala era fria, com as paredes de concreto nuas e janelas de alumínio com vidros escuros. A cadeira ergonômica projetada não passava de um engodo do mundo moderno, pois sua coluna há tempos que tinha ido para o saco. Os seus olhos ardiam e lacrimejavam com a clara tela do computador. Havia pelo menos quatro horas que nem sequer se levantava da cadeira, uma inércia inexplicável, mas cuja força invisível ele não conseguia vencer. Seu senso de responsabilidade para com o trabalho e todo o resto de sua vida em sociedade o tinha como refém, e aparentemente só a loucura de sua mente o faria se livrar daquelas pesadas e invisíveis correntes. No fone de ouvido um som alucinante embalava sua mente, algo que insinuava um mundo muito diferente do seu. Sentia que aquelas notas podiam muito bem estar escorrendo pelas janelas abertas de seu carro, enquanto dirigia em alta velocidade por uma bela estrada à beira-mar, com o vento massageando seus cabelos. Racionalizava e ponderava as conseqüências de realizar aquele seu desejo. Nada o poderia impedir, bastava sair, sem dar explicações, sem ligar para o que dele falassem. Por que isso parecia tão difícil? Notou que tudo o que o prendia ali era um engessamento de seus hábitos por parte de sua rotina de anos. Lembrou de um filme de comédia que havia assistido tempos atrás em que um funcionário, trabalhando em um escritório cinzento numa espécie de subsolo, repentinamente tinha um ataque de nervos e dizia tudo que pensava de seus colegas e de seu chefe, dando por encerrada a sua missão naquele trabalho. No entanto, o personagem do filme tinha acabado de saber que, por conta de uma doença rara, poucos meses de vida lhe restavam. Tudo bem que no seu caso a morte não era uma questão de meses, mas era ainda pior. Era uma questão de um tempo indefinido, mas finito, que independente de quando viesse a se extinguir, se aproximava a cada segundo do seu fim. Quando a porta atrás de si se abriu ele rapidamente clicou no arquivo do relatório que tinha concluído desde as primeiras horas da manhã, encobrindo os mapas com os quais planejava a sua viagem sem fim e sem início.

MAL-ACOSTUMADO

21.05.2008 | 8h41 por Autores Convidados | Site do Autor

Luiz com Z

De longe se vê melhor
Desde que sem miopia
De longe se sente menos
Desde que sem carência
De longe se respira fundo
Desde que a atmosfera
Não esteja rarefeita.

A saudade é uma galáxia
Onde o ar é coisa rara
Mas lá é que se trata a alma
Da hiperventilação.

Terremoto

20.05.2008 | 2h27 por Antonio Prata | Site do Autor

(Guia do Estado)

Não é que eu não soubesse que de 2008 a gente não passava, mas esperava a hecatombe só lá para julho, quando uns cientistas colidirão mini-partículas num bambolê de 27 km, enterrado entre a França e a Suíça, criando um buraco negro que reduzirá a mim, a você, ao Kilimanjaro e a tudo o que existe no planeta a uma bolota do tamanho de uma azeitona. Contava com os meses restantes para ler Proust, conhecer as cataratas do Iguaçu e fazer um curso rápido de danças de salão – um antigo desejo de minha senhora. Então a tela do computador tremeu, o quadro atrás da tela também, minha bunda chacoalhou sobre a poltrona, a poltrona deslizou uns dois centímetros sobre a crosta terrester, a crosta sambou sobre a enorme camada de gelatina, também conhecida como magma, com a qual Deus imprudentemente recheou a Terra e pensei: danou-se. Enquanto corria para baixo do batente da porta — precaução aprendida num desses documentários da TV e que jamais achei que me fosse ser útil, pelo menos não aqui nas Perdizes – pensei nas duas hipóteses mais prováveis: terremoto ou loucura. Contemplando o lustre a tremelicar no teto, torci egoisticamente pela primeira opção. Afinal, se o céu finalmente caísse sobre nossas cabeças, como temia Obelix, eu não estaria só em meu sofrimento. (Desculpem, camaradas, mas foi assim mesmo). A idéia de um terremoto no Brasil é tão absurda que logo abriu uma fenda no centro de meu bom senso, fazendo-me considerar outras possibilidades não menos estranhas. Geroge Bush apertou o botão vermelho, sem querer, iniciando a guerra atômica? Os marcianos estão atacando? (O tremor seria, provavelmente, causado pelo pouso da nave mãe no Memorial da América Latina). Deus, conforme prometido, havia iniciado o juízo final? Depois de mais ou menos cinco segundos, quando eu já havia me conformado com o fim do mundo e até encontrado algum consolo ao perceber que, se tudo acabasse, ao menos estaria livre de fazer o imposto de renda, o chão voltou a se comportar como antes. Peguei uma coca-zero, sentei-me novamente sobre a poltrona e o terremoto apareceu na internet, embaixo da manchete sobre as noventa e duas mortes causadas por dengue no Rio de Janeiro e acima do padre que saiu voando, agarrado a umas bexigas, na costa de Santa Catarina. A vida seguia seu rumo, como sempre, na mais perfeita normalidade.

19.05.2008 | 2h26 por Daniel Minchoni | Site do Autor


no cinzeiro
da sala-de-estar
aquele inferno
dantesco
o livro intacto
repousa ao lado
eu que não mais
serei o mesmo

Precipitação

18.05.2008 | 2h26 por Patrício Júnior | Site do Autor

Não saio, não saio, não saio. Foi aqui que o Chico coroou minha testa com um belo par de chifres, eu chegando da faxina lá de Dona Carmem e ele com Juciara lambendo os peitos do pecado. Minha coluna doía tanto que nem senti o coração. Mas foi ele que saiu, não eu, embaixo de vassouradas e gritos da rua, as crianças sempre berram quando assistem uma emoção. Foi aqui que me despedi do Zezinho, vou tentar a sorte no sul e eu disse vai filho, vai, eu fico. E fiquei. Sem ligações, sem cartas, sem notícias, ilhada no topo desse morro, mas viva.
Vi Das Dores partindo com os remelentos, o mais novo escorregando na lama no barro na esquistossomose. Vi Ana Lúcia ajudando o marido a colocar o guarda-roupa no caminhão, se fosse madeira de verdade não tinha inchado tanto. Vi o Clóvis sóbrio pela primeira vez, o rodo na mão morrendo diante de tanta água, ele encostado na parede que sobrou cuspindo um choro de bêbado. Agora estão no ginásio, lá embaixo, ninguém subiu aqui pra ver como andam as coisas, só disseram vão embora e quase todos foram. Mas eu não saio.
Nessas paredes vive muito de mim para que eu simplesmente vá – minha pele manchada de infiltrações, rebocos caídos pondo à mostra meu barro, dois ou três caminhos de cupim marcando como varizes as vigas, minhas varizes expostas na sala pequena, no quarto pequeno, no tudo pequeno que eu sou. Não saio. Pode vir prefeito, governador, presidente. Em vez de vir, deveriam mandar alguém pra consertar. Porque nunca vi seu senhor nenhum colocar a mão na argamassa e dizer conserto, nunca vi voto meu se transformar em coisa melhor, nunca vi terno e gravata colocar os pés aqui pra dizer vou te dar uma casa nova. Agora querem que eu vá embora. Mas não vou.
Eu falei na cara do doutor. Meu senhor, me diga pra onde vou que não chove, pra onde levo minha santinha ali no altar, pra onde carrego meus três vestidos floridos e as saudades do Zezinho e esse rancor pelo safado do Chico e a esperança de usar o décimo terceiro pra uma varandinha no quintal, pra onde transfiro a solidão e o cartão do INSS com gosto de fila e a minha dignidade de pobre, senhor doutor, pra onde? Ele não respondeu e não tinha mesmo como responder, quem sabe de mim sou eu e mais ninguém, seu doutor estudou tanto e não consegue me entender. Dei tchau pros que foram, mas fiquei. E fico. E vou ficar.
Já vi chuva pior que essa e nunca caiu teto meu pela cabeça. Infiltração tem também em Dona Carmem, toda pintada cheia de ouro vista pro mar, mas com um triste balde aparando a lágrima da chuva dentro do apartamento. Não tem como escapar, é o que vejo aqui sentada olhando as nuvens. Que vão embora todos, que a água traga à tona os lixos mais escondidos, que as baratas saiam de seus esconderijos porque dizem sobreviver a tudo mas já vi que morrem afogadas. Pois eu não sou barata! Não sou não. Quero mais é que dê no jornal minha casa toda esbagaçada pra ver se fazem alguma coisa. Prefiro ficar aqui nessa umidade gelada, vítima do meu desejo por uma vida melhor, do que ir praquele ginásio dividir banheiro pão cobertor com quem nem conheço – ou pior, com quem conheço tanto a ponto de saber que não vale a pena.
Hoje à noite vai chover de novo e pelo vento não vai ser fácil. Vou agarrar minha santinha, colocar meu vestido florido, deitar na minha cama e rezar. Se a chuva vier me buscar, vai ter que arrombar a porta e me carregar pra fora como se eu fosse um lixo. Porque eu não saio. Não saio.

Passado x futuro. Para onde você quer ir?

17.05.2008 | 2h22 por Thiago De Góes | Site do Autor

Não é de se espantar que quatro dos sete tipos de controle sobre o tempo desejados pelo homem, segundo Arthur C. Clarke, sejam relativos ao passado. Mais da metade! 57,14%, para ser mais exato. Outros dois são relacionados ao futuro e apenas um, ao presente.
O passado é “o cara”. Se algum dia houver uma agência de viagens especializada no tempo, o pacote para o passado será de longe o mais procurado. Por quê?
As coisas que se podem fazer no passado trazem muito mais benefícios do que no futuro. Os arrependidos podem corrigir seus erros. Os nostálgicos podem reviver seus bons momentos. Os frustrados podem finalmente viver “a vida inteira que podia ter sido e que não foi“.
E não importa se a passagem for somente de ida. O passado seria como um gigantesco iceberg que está sempre navegando em direção ao futuro. Um dia, o passageiro naturalmente retorna ao ponto de partida.
O futuro, ao contrário, só tem graça com passagem de volta. Você arriscaria ir a um lugar que nunca viu e ninguém sabe como é, e ainda com o “sutil” agravante de não saber como voltar? E ainda na hipótese de que seja um lugar bom, melhor do que no presente, não lhe daria uma vontade danada de contar para as pessoas que ficaram no seu tempo? Ao invés disso, poderá restar-lhe apenas a incômoda fama de matuto do interior (passado) na avançada capital (futuro).
É, amigos. O futuro nunca será o destino preferido dos terráqueos. Pode chover promoção de R$ 50,00. As pessoas vão preferir sempre pagar o preço da classe executiva para o passado.
Ironicamente, a viagem ao passado é justamente aquela que a maioria dos cientistas consideram ser peremptoriamente impossível… Há inúmeras contradições lógicas das quais falarei mais tarde.
Mas eu falava dos sete tipos de controle sobre o tempo, elencados por Arthur C. Clarke no livro Perfil do Futuro. Quais são eles? Veja só:
- ver o passado
- reconstruir o passado
- mudar o passado
- viajar ao passado
- acelerar ou retardar o presente
- viajar ao futuro
- ver o futuro
Realmente, isto é coisa para Hiro Nakamura nenhum botar defeito!

Dois vídeos legais

16.05.2008 | 17h54 por Jovens Escribas | Site do Autor

O trabalho de conclusão de curso de um grupo de alunos de publicidade da Universidade Potiguar em 2007 foi a respeito dos Jovens Escribas. A agência experimental Maya formada por Bertone, Thúlio, Thiago, Reuben, Nicole, Alexandra e Lívia produziu os dois vídeos abaixo.

Um deles fala do selo Jovens Escribas e o outro é um clipe vendendo os livros “Contos Bregas” e “Lobas, Deusas e Ninfetas” do autor Thiago de Góes.

Divirtam-se!


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